Recentemente, analisei um conjunto de dados do mercado de criptomoedas do primeiro trimestre, e quanto mais olho, mais percebo que a essência deste mercado em baixa não é simplesmente a queda de preços, mas uma mudança na mentalidade do mercado como um todo.



Para ser honesto, o desempenho do mercado de criptomoedas no primeiro trimestre deste ano realmente não foi ideal. O valor de mercado total encolheu para cerca de 2,4 trilhões de dólares, com uma queda de quase 20% no trimestre, e se compararmos com o pico de outubro de 2025, a retração chega a quase 45%. Mas o mais doloroso é que este já é o segundo trimestre consecutivo em queda.

O gatilho principal ocorreu de meados de janeiro até o início de fevereiro, quando o mercado sofreu uma onda de vendas concentradas devido às expectativas em relação à nomeação do presidente do Federal Reserve. Depois disso, o mercado entrou em um estado de sideways, mesmo com conflitos geopolíticos posteriores, sem mostrar volatilidade intensa. O que isso indica? O pânico já foi descarregado, mas novos fundos não entraram. O volume de negociações também está em declínio, com uma média diária de cerca de 117,8 bilhões de dólares, uma queda de 27% em relação ao período anterior. O mercado não só está em queda, mas também cada vez mais silencioso.

O mais interessante é o desempenho das stablecoins. Em todo o ambiente de baixa, o volume total de stablecoins permaneceu praticamente inalterado, em torno de 309,9 bilhões de dólares, com um aumento de apenas 0,5%. A lógica por trás disso é clara — as stablecoins já se tornaram um refúgio de capital.

Além disso, a competição interna entre stablecoins também está mudando. A Tether (USDT) apresentou uma contração de oferta significativa pela primeira vez desde 2022, com uma redução de 1,6%. Embora ainda detenha uma participação de mercado de 59%, esse sinal é importante, indicando que há uma saída de fundos. Em contrapartida, stablecoins mais regulamentadas e transparentes, como a USD Coin (USDC), estão crescendo, com um aumento de cerca de 2,4%. Além disso, novos players como USDS e USD1 estão crescendo mais de 30%. É evidente que a competição entre stablecoins entrou em uma nova fase, impulsionada por produtos e ecossistemas.

Mais doloroso ainda é entender o desempenho de outros ativos. O petróleo disparou 76,9% devido aos conflitos geopolíticos, o ouro subiu 8,1%, e o Bitcoin? Caiu 22%. Essa comparação revela o quê? Em ambientes de refúgio, os ativos de criptografia não estão sendo considerados como proteção. O índice do dólar subiu levemente, indicando que o capital está retornando para ativos tradicionais de segurança, ao invés de entrar no mercado de criptomoedas.

Os dados das exchanges também são preocupantes. Uma grande exchange teve um volume total de negociações de 2,7 trilhões de dólares, uma queda de 39,1% em relação ao período anterior. Em janeiro, ainda estava em alta, mas depois começou a cair continuamente, chegando a um mínimo de quase dois anos em março. Nesse ambiente de baixa, não há vencedores, apenas quem caiu menos e quem caiu mais.

Por outro lado, há um detalhe que merece atenção — a participação de mercado das DEXs na cadeia Solana ainda é a maior, atingindo 30,6%. Apesar do volume de negociações também estar em declínio, sua competitividade permanece. A Ethereum, em março, até superou por um tempo, e a competição entre as principais blockchains está se intensificando. Até mesmo novas chains como Monad começaram a entrar no top dez, mostrando que, mesmo em baixa, a competição na infraestrutura continua.

Uma mudança ainda mais interessante é que as negociações de commodities começaram a acontecer na cadeia. Uma plataforma de derivativos na cadeia tem contratos perpétuos de commodities representando 30% do total de posições, com uma demanda explosiva por petróleo, cujo volume diário de negociações chegou a ultrapassar o Bitcoin. Por meio de propostas comunitárias, qualquer pessoa pode fazer staking de fundos para emitir contratos, incluindo ações, ouro e petróleo. Isso significa que o mercado de criptomoedas está se transformando em uma verdadeira bolsa global 24 horas.

Ao olhar para trás, a mudança central neste mercado em baixa é: o fluxo de fundos está indo para as stablecoins, os investidores estão reduzindo suas negociações e a disposição ao risco caiu drasticamente. O mercado de criptomoedas perdeu sua característica de "movimento independente", sendo claramente influenciado por fatores macroeconômicos. Essencialmente, o mercado de criptomoedas já faz parte do sistema financeiro global.

O comportamento de negociação também está mudando, com menos especulação, mas uma demanda prática crescente, como negociações de commodities na cadeia. Novas narrativas estão se formando — de NFTs, memes e IA, para stablecoins, RWA e negociações de commodities na cadeia.

De modo geral, o primeiro trimestre de 2026 no mercado em baixa não é apenas uma queda de preços, mas um ponto de inflexão na transformação do setor de criptomoedas de um mercado de especulação para uma infraestrutura financeira. O capital está saindo de ativos de alto risco, migrando para stablecoins e ativos reais refletidos na cadeia. Esse processo pode durar algum tempo, mas também indica que o mercado de criptomoedas está amadurecendo.
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