Recentemente, tenho pensado numa questão: por que alguns investidores conseguem perceber através da névoa do mercado, enquanto a maioria ainda está à espera? O anjo investidor da Pop Mart, Mai Gang, talvez possa nos dar a resposta — por trás do seu olhar de investimento, há um personagem lendário do Vale do Silício chamado Tim Draper.



O nome Tim Draper já é bem conhecido na comunidade de criptomoedas. Mas talvez você não saiba que o seu gene de investimento está gravado na sua essência. O avô dele, William Henry Draper Jr., fundou uma firma de capital de risco em 1958, estabelecendo as regras básicas do VC moderno — taxas de gestão, participação nos lucros, coisas que hoje parecem óbvias, mas que ele criou. O pai também era um veterano do mundo dos investimentos, e posteriormente fundou a Draper International, focada em empresas indianas. Já na geração de Tim Draper, este fundador criou, em 1985, o fundo DFJ, que investiu em empresas que mudaram o mundo, como Baidu, Tesla, SpaceX, Hotmail, Skype, entre outras.

Mais importante ainda, Tim Draper foi uma das primeiras figuras do Vale do Silício a entrar no mercado de venture capital na China. No início dos anos 2000, quando outros capitais estavam saindo do país, ele permaneceu firme e conseguiu investir na Baidu. Em 2005, junto com Mai Gang e outros, fundou a "创业工场" (Laboratório de Empreendedorismo), tornando-se um participante importante no ecossistema de startups chinês.

Mas o que mais me impressiona é a sua história com o Bitcoin. Em 2011, com apenas dois anos de existência, Tim Draper conheceu o fundador da CoinLab através de um investidor. Na época, o Bitcoin valia US$6 cada, e ele decidiu investir US$25 mil na compra. O plano era usar esse dinheiro para comprar chips de mineração, para minerar cerca de 40 mil Bitcoins. E o que aconteceu? A fabricante de chips Butterfly Labs atrasou o envio, ele minerou por alguns meses, e quando os chips chegaram, a dificuldade de mineração já tinha disparado. Para piorar, esses Bitcoins acabaram sendo armazenados na Mt.Gox, que foi roubada e desapareceu com eles.

Essa perda foi suficiente para abalar a confiança de qualquer um. Mas a reação de Tim Draper foi bastante interessante — ele não culpou o sistema, pelo contrário, passou a admirar a resiliência do Bitcoin. Apesar do roubo de milhões, o Bitcoin caiu apenas cerca de 20%, e as transações continuaram ativas. Ele percebeu o quanto essa nova moeda digital tinha uma demanda forte.

Em 2014, o FBI dos EUA realizou um leilão de Bitcoins confiscados na Silk Road. Tim Draper viu uma oportunidade de recuperar perdas. Na época, o preço de mercado era US$618 por Bitcoin, e ele decidiu oferecer US$632 por Bitcoin, vencendo todos os 9 lotes, totalizando mais de 30 mil Bitcoins. Logo percebeu que poderia usar esses Bitcoins para algo significativo — promover a adoção do Bitcoin em países em desenvolvimento. Essas regiões, com baixa renda, não tinham acesso bancário, e cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo precisavam de uma solução.

Desde então, Tim Draper tornou-se um dos maiores fiéis do Bitcoin. Ele acredita que o Bitcoin tem três grandes vantagens: é global, não necessita de intervenção governamental, pode preservar valor e permite transações sem atritos. Ele até considera o Bitcoin e a blockchain como motores do progresso humano.

Em maio deste ano, Draper fez várias declarações nas redes sociais: o dólar está caminhando para a extinção, e com a desvalorização, as pessoas vão querer gastá-lo rapidamente, migrando para o Bitcoin. Ele prevê que, nos próximos 10 anos, o Bitcoin substituirá o dólar como moeda de reserva global. A curto prazo, ele estima que o Bitcoin atingirá US$250 mil até 2025 — embora essa previsão pareça um pouco ousada, sua lógica é que o Bitcoin se popularizará como meio de pagamento.

Como investidor, Tim Draper também resumiu sua filosofia de investimento. Algumas regras principais: não investir muito cedo em um único projeto, para manter reserva de recursos; o ciclo de investimento deve ser de 5 a 10 anos; não impor sua experiência de empreendedor a outros; o mais importante é a paixão, não os números. Ele contou uma história interessante — um empreendedor inicialmente apresentou um modelo financeiro de forma fria, mas depois mudou de estratégia, falando sinceramente sobre o setor e a visão de transformação da sua empresa, e Draper se sentiu atraído imediatamente. Ele disse: "Procuro por paixão."

Por isso, Mai Gang conseguiu perceber a verdadeira essência do Bubble Mart. Após apenas cinco dias de conhecer Wang Ning, decidiu investir — não foi uma aposta, mas uma intuição de investimento herdada de Tim Draper — olhar para as pessoas, para a paixão, para a missão.

Curiosamente, o envolvimento de Tim Draper no mundo cripto vai muito além do Bitcoin. Ele também investiu em Ethereum, Coinbase, Ledger e outros projetos pioneiros, e em 2018 criou, através da Draper University, uma base de treinamento em blockchain em Zhongguancun, Pequim. Ele nunca se vê como um especulador, mas como um agente de transformação.

Enquanto o capital mainstream ainda observa com cautela o Web3, Tim Draper já está totalmente comprometido. Quando o Bitcoin ainda era desacreditado como uma "bolha", ele já tinha dado seu voto de confiança com ações concretas. Essa força de crença talvez seja o que diferencia os investidores que realmente mudam o mundo.
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