Recentemente, na comunidade de criptomoedas, surgiu uma questão que gerou bastante discussão. O desenvolvedor do Ethereum, Vlad Zamfir, publicou no Twitter uma votação perguntando: se descobrirmos que há conteúdo infantil inadequado armazenado na blockchain, você continuaria a rodar um nó completo? Essa questão parece um pouco pesada, mas as questões legais e técnicas por trás dela realmente merecem reflexão.



A origem do assunto foi um relatório de pesquisa da Universidade RWTH Aachen, que descobriu uma imagem de conteúdo infantil inadequado e 274 links relacionados na blockchain do Bitcoin. Isso fez muitas pessoas começarem a se preocupar se, como minerador ou operador de nó, participar na manutenção de uma blockchain assim poderia violar a lei. Especialmente nos Estados Unidos, onde o Congresso recentemente aprovou uma lei chamada SESTA-FOSTA, que tenta responsabilizar provedores de serviços de internet pelo conteúdo ilegal compartilhado pelos usuários, mesmo que não tenham conhecimento disso.

O resultado da votação de Zamfir foi bastante interessante: entre mais de 2300 respostas, apenas 15% disseram que parariam de rodar o nó se descobrissem conteúdo infantil inadequado. O professor de Princeton, Arvind Narayanan, também comentou no Twitter, apontando que a reação da mídia mainstream a esse relatório foi um pouco superficial. Ele destacou que a lei não é um algoritmo, e a intenção é importante ao julgar se algo é ilegal ou não.

Mas isso realmente levanta algumas questões éticas. Como a blockchain é imutável, qualquer pessoa pode adicionar dados não verificados em uma transação. Aaron Wright, da Faculdade de Direito Cardozo, explicou que isso reflete uma contradição fundamental: é difícil alterar a estrutura de dados de uma blockchain, mas alguns campos legais exigem a possibilidade de deletar ou modificar dados.

Aqui é importante entender um detalhe técnico. Esses conteúdos inadequados infantis não estão armazenados na blockchain em formato JPEG ou vídeo, mas sim embutidos nos dados da transação por meio de links codificados. Portanto, para localizar e decodificar esses conteúdos, é necessário um esforço considerável. A análise do Coin Center aponta que a blockchain, na sua essência, é uma coleção de strings de texto aleatórias, e só é possível tentar decodificá-las se soubermos onde procurar.

Do ponto de vista legal, na maioria dos estados dos EUA, a responsabilidade só é atribuída se a pessoa souber que possui, produz, vende, transmite ou acessa conteúdo infantil inadequado. A palavra-chave é "saber". Como a maioria dos usuários do Bitcoin não sabe que esses dados estão escondidos em certos blocos, muitos consideram que o relatório da Aachen é um pouco alarmista.

E esse problema não se limita ao Bitcoin. Quase todas as blockchains permitem a adição de dados em transações, então pessoas com habilidades técnicas podem inserir conteúdos ilegais em qualquer blockchain de código aberto. Emin Gun Sirer, da Universidade de Cornell, explicou no Twitter que o software de criptografia comum realmente carece das ferramentas necessárias para decodificar esses conteúdos.

Por outro lado, algumas soluções técnicas estão sendo discutidas. Alguns desenvolvedores sugerem que os operadores de nós podem optar por não armazenar o conteúdo completo de certas transações, apenas guardar o "hash e efeitos colaterais". Matt Corallo, desenvolvedor do Bitcoin, mencionou que desenvolvedores experientes podem criptografar dados suspeitos ou encontrar outras maneiras de tornar o conteúdo inacessível. Ele afirmou que armazenar esse tipo de informação de forma criptografada é aceitável, e uma criptografia simples poderia resolver o problema. No entanto, ele também destacou a necessidade de uma definição legal mais clara para que os desenvolvedores possam lidar com essas questões de forma direcionada.

Uma coisa é certa: se um operador de nó ou minerador adicionar conteúdo infantil inadequado ou souber que alguém está fazendo isso, eles têm a responsabilidade legal de relatar às autoridades. Embora a natureza pseudônima do Bitcoin possa complicar, Wright apontou que as autoridades podem rastrear essas ações. Elas podem usar os registros na blockchain para descobrir quem enviou a informação, assim como investigam fraudes fiscais ou financiamento terrorista.

Em resumo, esse tema revela uma realidade delicada dos livros-razão descentralizados. Uma blockchain pública e imutável realmente não é adequada para armazenar informações sensíveis ou ilegais. Mas isso reforça a importância de entender os detalhes técnicos, o quadro legal e as posições de diferentes partes. Não é uma questão simples de preto e branco, mas uma interseção complexa de tecnologia, lei e ética.
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