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Recentemente, notei um fenômeno bastante interessante — todos estão preocupados com uma repetição da crise do petróleo, com os preços do petróleo disparando e causando um colapso econômico. Mas, na verdade, as coisas que realmente devemos temer podem ser completamente diferentes.
Recentemente, vi um economista da Universidade Johns Hopkins, Steve Hanke, discutindo esse tópico, e seu ponto de vista me surpreendeu um pouco. Ele não está errado; se compararmos com a crise do petróleo de 1978-1979, os riscos atuais na verdade são menores. Por quê? Porque a estrutura econômica global mudou ao longo das décadas — a produção de petróleo do Irã caiu de 8,5% do total mundial na época para 5,2% agora, enquanto a produção dos EUA aumentou de 15,6% para 18,9%. O mais importante é que nossa dependência do petróleo diminuiu drasticamente, com o consumo de petróleo por unidade de PIB caindo de 1,5% para 0,4%. Em outras palavras, a economia moderna não é mais tão vulnerável a uma crise do petróleo.
Mas isso não significa que não haja riscos. O problema é que, atualmente, o mercado mais vulnerável não é o de energia, mas o mercado de ações. Comparando os números, fica claro — em 1978, o índice P/E do mercado de ações era de 8 vezes, e agora? Entre 28 e 29 vezes. Isso é uma bolha. Quando o mercado está nesse nível de valorização excessiva, qualquer choque externo — guerra, riscos geopolíticos — pode desencadear uma reação em cadeia.
Sobre o próprio preço do petróleo, a análise de Hanke também é bastante interessante. Ele acredita que a inflação não é causada pelo aumento do preço do petróleo, mas pela expansão da oferta monetária. O exemplo do Japão ilustra bem isso: em 1973, durante a crise do petróleo, o Banco do Japão aumentou a oferta de moeda, resultando tanto na alta do petróleo quanto na inflação; mas na segunda crise do petróleo, em 1979, eles se recusaram a aumentar a oferta monetária, e o resultado foi apenas a alta do petróleo, sem inflação. Isso oferece uma lição importante para a política do Federal Reserve atualmente — eles pararam o aperto quantitativo em dezembro passado e começaram a fazer afrouxamento quantitativo, o que representa um risco real de inflação.
E quanto às ideias de “desdolarização”? Hanke foi direto ao dizer que isso é uma bobagem. Os dados estão aí — no ano passado, o investimento líquido nos EUA cresceu 31%, o dólar está forte em relação ao euro, e após o início da guerra, o dólar se fortaleceu ainda mais. É evidente que o fluxo de capital ainda está vindo para os EUA de forma contínua, não há sinal de desdolarização.
Por fim, sobre a situação no Oriente Médio, a opinião de Hanke é que ela já saiu do controle. As tentativas de mudança de regime apoiadas pelos EUA na região fracassaram cerca de 60% das vezes, e as demais deixaram um rastro de caos. Agora, os EUA estão envolvidos em uma política que provavelmente vai fracassar, com um custo enorme — não só econômico e militar, mas também político. O líder iraniano assassinado se tornará um mártir para o mundo muçulmano, e, a longo prazo, os EUA estão criando uma quantidade significativa de inimigos.
Portanto, ao invés de se preocupar com uma crise do petróleo, o mais importante é ficar atento à bolha do mercado de ações e às políticas do banco central. A história nos ensina que as crises reais muitas vezes não acontecem onde você inicialmente pensa.