Acabei de perceber um fenômeno particularmente interessante: o setor de financiamento e investimento em Crypto está passando por uma transformação de caos para normatização, e a chave dessa mudança está na aplicação de ferramentas na cadeia.



O financiamento de private equity tradicional já é bastante complexo, envolvendo captação de recursos, investimentos, gestão, saída, entre outros processos, que requerem a participação de advogados, consultores financeiros e outros profissionais especializados, com altos custos e barreiras de entrada. O surgimento de ferramentas online como AngelList mudou tudo isso — modularizando processos complexos, permitindo que pessoas ao redor do mundo participem de captação de recursos com apenas alguns cliques.

Porém, no setor de Crypto, a situação se torna ainda mais confusa. A maioria das instituições ainda opera usando carteiras multiassinatura e contratos em papel, o que traz três problemas graves: risco de desvio de fundos, falta de garantias no cumprimento de contratos e a presença de muitas organizações que se dizem VC, mas na verdade são grupos de especulação com criptomoedas. As abordagens tradicionais de lei praticamente não funcionam em transações de Crypto transfronteiriças, deixando investidores e empreendedores em um estado de alta incerteza.

Curiosamente, as próprias características tecnológicas do Crypto podem resolver esses problemas. A imutabilidade dos contratos inteligentes garante a execução automática das transações, a moeda programável permite gerenciar fundos via código, e a transparência do blockchain possibilita rastrear o histórico de investimentos e comportamentos reais de qualquer organização. Imagine poder verificar a qualquer momento a conta de um VC na cadeia, para saber se eles realmente mantêm os ativos a longo prazo ou se vendem imediatamente ao receberem tokens — algo impossível na finança tradicional.

Essa é a lógica do "AngelList na cadeia". Ao combinar diferentes módulos de contratos inteligentes — contratos de captação, contratos de votação, pools de fundos, contratos de vesting, contratos de verificação de elegibilidade, entre outros — podemos construir um conjunto de ferramentas de financiamento totalmente descentralizado, sem necessidade de confiar em terceiros. Uma vez que as partes envolvidas confirmam os parâmetros da transação na cadeia, todo o processo é executado automaticamente, sem possibilidade de bloqueio, alteração ou necessidade de permissão de alguém.

De fato, muitas equipes já estão explorando esse caminho, de Moloch a DAOSquare, de DAOhaus a Syndicate, todos construindo essas ferramentas de formas diferentes. Tenho grande otimismo com essa direção, pois o capital sempre será o motor principal do desenvolvimento do setor. À medida que o setor de financiamento em Crypto se torna mais normatizado, esse tipo de infraestrutura na cadeia se tornará o próximo ponto de explosão.

Mais do que uma atualização tecnológica, trata-se de uma mudança de paradigma — de depender de justiça e mecanismos de confiança, para depender de código e transparência. Isso é de grande importância para a maturidade de todo o ecossistema Crypto.
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