Robin Brooks, Senior Fellow na The Brookings Institution e antigo Chief FX Strategist na Goldman Sachs, acredita que o Real brasileiro está preparado para crescer, uma vez que o valor da moeda tem vindo a aumentar de forma consistente desde 2025. Dois factores-chave beneficiarão o Real brasileiro: o fim do conflito no Médio Oriente e o aumento da incerteza no Estreito de Ormuz.
O Real brasileiro tornou-se um verdadeiro caso à parte desde que começaram as hostilidades no Médio Oriente, passando a ser a moeda com melhor desempenho nos mercados emergentes, para além do forint húngaro.
Ainda assim, apesar do aumento recente, analistas acreditam que o rally do real ainda tem pernas e que está a ser preparado aquilo a que se chama uma “tempestade perfeita” para sustentar o valor da moeda.

Robin Brooks, Senior Fellow na The Brookings Institution e antigo Chief FX Strategist na Goldman Sachs, prevê que o real “tem ainda muito caminho pela frente” e que ultrapassará a taxa de câmbio de 4,5 reais por dólar, que ele considera ser a taxa de câmbio do “valor justo” da moeda
Brooks afirma que o Real brasileiro está “gravemente desvalorizado e subavaliado” e deverá beneficiar de impulsionadores geopolíticos semelhantes aos verificados quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Na altura, o benchmark do Brent subiu 40% e o Real brasileiro também ganhou 20% por arrasto.
Para ele, dois elementos principais farão avançar ainda mais o Real brasileiro. O primeiro é a disposição dos EUA para pôr fim à guerra actual no Irão o mais rapidamente possível, o que elevará as moedas de carry, como o Real brasileiro.
O segundo impulsionador deste crescimento previsto será a incerteza em torno da navegabilidade do Estreito de Ormuz, no Irão. Isto beneficia o Brasil, exportador de commodities e de petróleo, reforçando por sua vez o valor do real.
“Em 2022, nunca chegámos verdadeiramente abaixo do meu valor justo de 4,50, mas penso que isso já está em jogo. Espero que os próximos meses vejam finalmente $/BRL descer abaixo de 4,50,” concluiu Brooks.
Ainda assim, permanecem outras incertezas que podem afectar a recuperação do Real brasileiro, incluindo as eleições que se avizinham e que se transformaram numa espécie de disputa renhida entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
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